No oitavo dia da missão da Inovar Cooperativa na China, as visitas técnicas em Pequim colocaram o grupo diante de tecnologias que já estão transformando a mobilidade e de outras que apontam novos caminhos para saúde, acessibilidade e interação entre seres humanos e máquinas.
A programação passou pela Baidu Apollo, referência em tecnologias de condução autônoma, e pela exposição de ciência, tecnologia e inovação de Zhongguancun, onde foram apresentados avanços em áreas como biomedicina, robótica, interfaces cérebro-máquina, mobilidade inteligente, chips e sistemas de comunicação. Execoop_ChinaCoop_2026-09-22_Ba… Execoop_ChinaCoop_2026-09-22_Zh…
Mais do que observar equipamentos, o dia trouxe uma reflexão diretamente relacionada ao propósito da missão:
como a inovação pode melhorar a vida das pessoas?
Quando o veículo começa a compreender o ambiente
Na Baidu Apollo, o grupo acompanhou a evolução da tecnologia de condução autônoma até os veículos mais recentes.
Esses sistemas utilizam diferentes sensores, processamento computacional e modelos de Inteligência Artificial para interpretar o ambiente ao redor do veículo e tomar decisões em tempo real. O material apresentado durante a visita destaca a capacidade de reconhecer veículos, pedestres e outros elementos da via, além de lidar com cenários complexos de trânsito.
A visita terminou com uma experiência prática em um veículo autônomo, aproximando os participantes de uma tecnologia que deixou de ser apenas conceito para começar a fazer parte de operações reais.
O aprendizado, porém, não está somente na automação do veículo.
Está na quantidade de elementos que precisam funcionar de forma integrada para que a experiência seja possível: sensores, dados, processamento, infraestrutura, sistemas de comunicação e mecanismos de segurança.
Tecnologia também precisa pensar em segurança
A condução autônoma mostrou outro princípio importante: inovação não pode ser separada de segurança.
Segundo o conteúdo apresentado na visita, o sistema Apollo trabalha com diferentes mecanismos de redundância envolvendo percepção, frenagem, rede e energia. Caso determinado componente falhe, outro sistema é projetado para assumir sua função.
Esse conceito oferece uma reflexão que ultrapassa a mobilidade.
Para organizações de saúde, inovar também significa pensar sobre confiabilidade, rastreabilidade, proteção das informações e capacidade de responder adequadamente quando algo não acontece como previsto.
Tecnologia eficiente não é apenas aquela que executa uma tarefa rapidamente.
É aquela que foi pensada para funcionar com responsabilidade.
Acessibilidade como parte da inovação
Outro aspecto apresentado pela Baidu chamou atenção pela dimensão humana.
Entre as soluções relatadas estão recursos voltados à mobilidade de pessoas com deficiência visual, como abertura de porta por Bluetooth e uma função que permite fazer o veículo emitir sinais sonoros para facilitar sua localização.
É uma demonstração importante de que inovação também pode ser medida pela capacidade de ampliar autonomia.
Para a Inovar, essa perspectiva conversa diretamente com um dos aprendizados centrais do dia: tecnologia não precisa apenas tornar processos mais rápidos.
Ela também pode reduzir barreiras.
Quando inovação e saúde se encontram
Na exposição de Zhongguancun, a relação entre tecnologia e saúde ganhou ainda mais espaço.
O material da visita reuniu exemplos envolvendo robótica cirúrgica, biomedicina e interfaces cérebro-máquina, além de outras tecnologias em diferentes estágios de desenvolvimento e aplicação.
Na robótica aplicada à saúde, foi apresentado um sistema voltado a procedimentos ortopédicos complexos, combinando precisão e capacidade mecânica para apoiar determinadas intervenções.
O ponto mais relevante para a missão não está simplesmente em imaginar essas tecnologias sendo reproduzidas na Inovar.
Está em compreender como tecnologia pode apoiar profissionais em atividades que exigem cada vez mais precisão, informação e segurança.
Interfaces cérebro-máquina e novas possibilidades de comunicação
Entre as tecnologias apresentadas, as interfaces cérebro-máquina trouxeram uma das reflexões mais significativas do dia.
Os sistemas mostrados durante a exposição investigam formas de transformar sinais neurais em comandos externos. Segundo o material da visita, essas tecnologias vêm sendo estudadas para permitir que pessoas com limitações neurológicas graves possam comunicar necessidades ou controlar dispositivos por meio da intenção de movimento.
O próprio resumo da visita associa esse desenvolvimento a uma ideia que vai além da compensação de uma limitação física: recuperar formas de interação com o mundo e ampliar autonomia.
É justamente aí que tecnologia e cuidado começam a se encontrar.
Nem toda inovação está no mesmo estágio
Um cuidado importante ao observar tantas tecnologias é compreender que elas não estão todas no mesmo nível de maturidade.
O material apresentado em Zhongguancun reúne desde soluções em operação até pesquisas e abordagens ainda não difundidas como prática clínica de rotina. No caso da terapia celular apresentada para diabetes, por exemplo, o próprio documento registra explicitamente que a abordagem ainda não é um tratamento clínico de uso rotineiro.
Por isso, aprender com um ecossistema de inovação não significa assumir que toda novidade está pronta para ser aplicada.
Também significa compreender desenvolvimento, evidências, testes, segurança e responsabilidade.
O que a Inovar leva dessas experiências?
Ao olhar para mobilidade autônoma, robótica, acessibilidade e novas tecnologias de saúde, é possível encontrar um princípio comum.
A inovação mais relevante não começa pela tecnologia.
Começa pelo problema que precisa ser resolvido.
Para a realidade da Inovar, as experiências do dia reforçam algumas questões importantes:
Como integrar melhor nossas informações?
Como utilizar tecnologia para apoiar as equipes?
Como tornar processos mais seguros e rastreáveis?
Como reduzir barreiras de acesso?
E como utilizar novas ferramentas sem retirar das pessoas o protagonismo no cuidado?
A China apresentou, ao longo desta missão, muitos exemplos de tecnologia em escala.
Mas talvez uma das principais reflexões do oitavo dia esteja justamente em olhar além da tecnologia.
Sensores, Inteligência Artificial, robótica e novos dispositivos ganham significado quando conseguem ampliar autonomia, apoiar profissionais, reduzir riscos ou criar novas possibilidades para as pessoas.
Para a Inovar, esse é um aprendizado que merece permanecer.
Não precisamos perseguir tecnologia simplesmente porque ela é nova.
Precisamos compreender onde ela pode gerar valor.
E fazer isso com responsabilidade, cooperação e atenção permanente a quem cuida e a quem recebe cuidado.
Da China para o Futuro. Conhecimento que se transforma em ação.