Em visita ao Zhejiang Tailong Commercial Bank, Roberta Gordo conhece um modelo voltado às micro e pequenas empresas e traz novas reflexões sobre inclusão, relacionamento, dados e tecnologia para a Inovar Cooperativa.
O segundo dia da missão da Inovar Cooperativa na China trouxe uma nova perspectiva para a série Da China para o Futuro.
Depois de um primeiro dia marcado por reflexões sobre ecossistemas de inovação, tecnologia, dados e governança, a presidente da Inovar Cooperativa, Roberta Gordo, participou de uma experiência que colocou outro elemento no centro da discussão: a proximidade.
A agenda incluiu uma visita ao Zhejiang Tailong Commercial Bank, instituição chinesa cuja trajetória está diretamente relacionada ao atendimento de micro e pequenas empresas e à promoção das finanças inclusivas. O próprio banco apresenta como princípio de sua atuação o compromisso com pequenos negócios e com a ampliação do acesso aos serviços financeiros.
Durante a visita, uma das mensagens apresentadas no espaço da instituição sintetizava justamente esse compromisso: promover o desenvolvimento de alta qualidade dos serviços financeiros inclusivos voltados às micro, pequenas e médias empresas.
Mais do que conhecer o funcionamento de um banco, a experiência abriu espaço para uma reflexão que ultrapassa o próprio setor financeiro.
Tecnologia e relacionamento não são opostos
Quando pensamos em transformação digital, é comum imaginar que o avanço da tecnologia leva necessariamente à redução do contato humano.
A experiência observada no Tailong mostra que os dois caminhos podem ser complementares.
O banco utiliza recursos tecnológicos, análise de dados e digitalização para tornar seus processos mais eficientes. Ao mesmo tempo, mantém uma forte preocupação com o conhecimento da realidade dos clientes.
Essa abordagem surgiu justamente das dificuldades encontradas no atendimento às micro e pequenas empresas.
Nem sempre esses negócios possuem grandes estruturas administrativas, longos históricos financeiros ou informações suficientes para que uma decisão seja tomada apenas a partir de bases tradicionais.
Por isso, o Tailong desenvolveu um modelo que combina tecnologia com informações obtidas no contato direto com os empreendedores.
Em reportagem sobre a instituição, representantes do banco explicam que dados online são utilizados em conjunto com avaliações realizadas presencialmente, permitindo compreender aspectos da realidade de pequenos negócios que nem sempre estão representados nos sistemas.
A instituição também vem integrando dados provenientes de diferentes fontes às informações coletadas pelos próprios profissionais que atuam nas comunidades.
A lógica oferece uma reflexão importante:
Dados mostram uma parte da realidade. Proximidade ajuda a dar contexto a esses dados.
Estar próximo também pode ser uma estratégia
A proximidade não aparece apenas na análise das informações.
O Tailong descreve suas próprias unidades como centros de serviços ligados às comunidades nas quais estão inseridas.
A ideia é compreender as características econômicas de cada região e combinar serviços financeiros e não financeiros para atender às diferentes necessidades locais.
Algumas unidades também funcionam como espaços de apoio ao empreendedorismo, oferecendo ambientes para apresentação de produtos, encontros e orientação para pequenos negócios.
Isso muda a forma de enxergar uma instituição.
Em vez de ser apenas um lugar onde uma determinada transação acontece, ela passa a fazer parte de um ecossistema de relacionamento e desenvolvimento.
Inclusão financeira e desenvolvimento
Outro conceito presente ao longo da visita foi o das finanças inclusivas.
O objetivo é ampliar o acesso a serviços financeiros para públicos que podem enfrentar mais dificuldades dentro dos modelos tradicionais.
No caso do Tailong, micro e pequenas empresas ocupam posição central nessa estratégia.
Essa escolha produz um efeito que vai além da concessão de crédito.
Pequenas empresas geram trabalho, movimentam comunidades e criam oportunidades.
Ao desenvolver maneiras mais eficientes de compreender suas necessidades e riscos, uma instituição financeira pode alcançar pessoas e empresas que antes tinham maior dificuldade de acesso aos serviços disponíveis.
O banco também afirma desenvolver iniciativas destinadas ao fortalecimento das capacidades dos pequenos negócios, incluindo soluções digitais de gestão e ações de apoio ao empreendedorismo.
A discussão, portanto, deixa de ser apenas sobre oferecer um produto.
Passa a ser também sobre criar condições para que as pessoas e organizações atendidas possam se desenvolver.
O que uma cooperativa de saúde pode aprender com um banco?
À primeira vista, uma instituição financeira chinesa e uma cooperativa brasileira de serviços de saúde podem parecer organizações muito diferentes.
E são.
Mas alguns princípios de gestão atravessam setores.
Um deles é a importância de conhecer as pessoas que fazem parte de uma organização.
Para a Inovar, essa reflexão pode ser trazida para a própria relação com seus cooperados.
À medida que a cooperativa cresce e amplia seus projetos, também cresce a quantidade de informações, processos, serviços e pontos de contato existentes.
A tecnologia oferece a possibilidade de organizar esse ambiente.
Dados podem ajudar a identificar necessidades.
Sistemas podem reduzir burocracias.
Processos digitais podem oferecer respostas mais rápidas.
Informações organizadas podem apoiar decisões melhores.
Mas existe uma diferença entre simplesmente acumular dados e realmente conhecer as pessoas.
O aprendizado trazido da China neste segundo dia sugere justamente a necessidade de unir essas duas dimensões.
Tecnologia para conhecer melhor, não para criar distância
Essa reflexão ganha ainda mais importância quando pensamos no futuro das organizações.
Automação e inteligência artificial serão capazes de executar cada vez mais tarefas.
Serviços serão cada vez mais digitais.
Informações circularão com mais velocidade.
O desafio não será apenas implementar essas tecnologias.
Será decidir como utilizá-las.
Para uma cooperativa, a resposta precisa continuar passando pelas pessoas.
A tecnologia pode tornar o relacionamento mais eficiente sem torná-lo impessoal.
Pode permitir que uma organização maior continue compreendendo necessidades individuais.
Pode liberar equipes de processos repetitivos para que dediquem mais tempo a atividades nas quais relacionamento, conhecimento e sensibilidade fazem diferença.
Pode transformar informação em capacidade de cuidar melhor de quem faz parte da cooperativa.
O aprendizado do Dia 2
A experiência deste segundo dia deixa uma reflexão simples, mas importante:
Proximidade também é inovação.
Inovar não significa apenas fazer algo de uma maneira tecnologicamente mais avançada.
Também significa encontrar maneiras melhores de compreender problemas e oferecer respostas.
A experiência do Tailong mostra uma organização que busca combinar tecnologia, dados, presença local e conhecimento das pessoas para ampliar sua capacidade de atendimento.
Para a Inovar, fica uma nova pergunta para levar adiante:
Como podemos utilizar tecnologia e dados para conhecer cada vez melhor nossos cooperados e estar ainda mais próximos deles?
É com perguntas como essa que a jornada Da China para o Futuro continua.
A cada dia, novas experiências.
A cada experiência, novos aprendizados.
E, a partir deles, novas possibilidades para pensar o futuro da Inovar Cooperativa.
Aprender hoje. Transformar amanhã.